Giro nas estrelas
Postado em 31 de Janeiro de 2008
Domingo, 27 de janeiro, 9h12 - Com bicicletas blindadas, enlameadas e salgadas, saímos em busca dos atrativos do deserto nos arredores de San Pedro de Atacama. De cara, notamos a facilidade de pedalar na “baixitude” dos 2.400 metros da região. Os pulmões bocejavam. A primeira parada é no Ojos del Salar, complexo de lagoas de água verde esmeralda e altamente salinizada, em meio á secura atacamenha. O teor de sal é tão grande que é impossível afundar.
Aproveitamos a superfície branca ao redor da lagoa para produzir fotos brincando com a perspectiva que o terreno proporciona. Assim, o Coxa Cabral matou a vontade de atropelar o comparsa Adriano com o pneu da bicicleta (veja foto); este por sua vez, mostrou seu gigantismo diante do insignificante Cabral ao seus pés (veja foto). Terminada a brincadeira, retornamos ä base para conhecer a “grande” San Pedro, o que é possível ser feito em uma tarde. Foi um tremendo choque monetário sair da Bolívia e cair na capital do deserto. A cidade é absurdamente cara. Trocamos os restaurantes pelos mercadinhos, e tudo bem…
Para o dia seguinte (28), programamos dois pedais. O primeiro nos levou a Pukara de Quitor, uma fortaleza dos índios atacamenhos que foi um dos mais importantes focos de resistência na guerra contra os espanhóis, em plena Cordilheira de Sal. O lugar reserva imagens surpreendentes como faces de guerreiros esculpidas no alto das montanhas, cavernas e uma estrada em caracol que leva a um dos mais altos mirantes da região. O caminho tradicionalmente é feito a pé, mas os Coxas inovaram ao subir de bicicleta pelo estreito e extenso caracol. Lá de cima, vimos o Vale da Morte, por onde passamos no retorno à cidade.
De volta à base, breve pausa para comer, esticar as coxas e reabastecer as caramanholas. Para nosso último pôr-do-sol em San Pedro, escolhemos o Vale da Lua. E lá estão os Coxas na estrada rumo a um dos mais atraentes pontos turísticos do deserto. Visitar o vale nos fez pensar sobre quais serao os motivos que ainda levam diretores de cinema a usar computação gráfica para reproduzir superfícies lunares ou de outros planetas. O lugar fica totalmente fora da Terra. O sol se foi, as estrelas (trilhares delas no céu limpíssimo do deserto) chegaram e os Coxas encerraram o giro no deserto com um pedal noturno, na volta do vale lunar, num total de 86 quilômetros de giro desértico. Na base, pela primeira vez as bicicletas receberam uma geral e foram para as malas.
No dia seguinte (29), por não haver passagens para Salta (Argentina), mudamos o roteiro e embarcamos para Calama. De lá, partimos direto para Santiago. Após 21 horas de viagem pela Panamericana, com parada em Antofogasta para admirar o Pacífico, os Coxas chegam á capital chilena. Escolhem o Centro para se hospedar, de onde prepararão a estratégia para vencer o último superlativo previsto na Expedição: cruzar de bicicleta a Cordilheira dos Andes passando pelo portal do Aconcágua. Até lá, curtiremos a pé os calçadões da capital chilena.
Advertência: os textos dos Coxas são escritos na primeira e/ou terceira pessoa do plural. O Pelé também passa por isso…

































